A dramaturgia para a cena ainda está em construção. Diante das inúmeras referências e informações trazidas pelos atores-pesquisadores em suas pesquisas de campo, optou-se pela criação de três textos para três quadros. Cada um contemplará alguns aspectos observados e estudados ao longo da pesquisa, mas enfatizarão os principais elementos percebidos no universo dos moradores de rua: a solidão, a agressividade, a sexualidade e a relação com o tempo.
A seguir um pequeno trecho do primeiro exercício de dramaturgia escrito pelo diretor André Filho:
MULHER 2- Eu não disse isso. Eu nunca vou esquecer, mas por isso vou ficar agora ficar remoendo essa coisa ruim dentro de mim?
MULHER 1- Não disse mas pensou.
MULHER 2- E agora tu deu prá ler o pensamento das pessoas foi? Olha só, sabia não.
MULHER 1- Tem gente que não precisa fazer muito esforço prá se saber o que elas pensam. É só olhar bem dentro dos olhos.
MULHER 2- (RINDO) Ainda bem que tu nunca vai saber o que eu to pensando...Eu só disse que sentia falta do tempo que a gente sonhava.
MULHER 1- Argh! Lá vem você de novo com essa ladainha de perder tempo. Sonho é coisa do invisível.
MULHER 2- E não é isso que a gente é?
MULHER 1- Não, não é. A gente é só poeira. Poeira varrida pelo tempo prá longe dos olhos dos outros. Poeira que não sonha, que somente se espreme entre uma esmola de vida e outra. Só poeira, mas poeira não é invisível. Poeira só serve é prá arranhar o olho.
Aguardem postagens dos novos exercícios de dramaturgia que a qualquer momento serão divulgados.