No próximo dia 21 de maio de 2011, às 17 horas na sede da Cia. Fiandeiros, acontecerá a atividade de finalização da pesquisa Paralelas do Tempo: A Teatralidade do "não-ser". com a demonstração do exercício dramatúrgico que gerou três textos, "O Presente", "A Cura" e "Salobre", todos com autoria de André Filho, diretor da companhia e coordenador geral da pesquisa.
Esta atividade também integra a programação do Festival Palco Giratório 2011, promovido pelo SESC, e tem entrada gratuita. Após a apresentação haverá um debate com os integrantes da companhia e platéia.
"O Presente" tem atuação de Kellia Phayza e Paula Carolina.
"A Cura", tem atuação de Jefferson larbos.
"Salobre", tem atuação de Daniela Travassos e Manuel Carlos
Dramaturgia e direção geral: André Filho
Pesquisa de Cenografia e Figurino: Manuel Carlos
Pesquisa de Iluminação: Suzana Vital
Produção: Daniela Travassos, Renata Telles.
A seguir algumas fotos de momentos dos ensaios.
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sábado, 14 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
ETAPA III – a dramaturgia se amplia
“O Presente”, “A Cura” e “História do Rio” são os títulos provisórios da dramaturgia construída a partir dos elementos trazidos pelos atores-pesquisadores em suas observações, vivências e experimentações nas ruas. Dos três textos surgidos da pesquisa Paralelas do Tempo: A Teatralidade do “não-ser”, apenas "História do Rio" ainda está em fase de finalização
Em “O Presente”, duas mulheres expressam tudo o que elas são, o que sentem e vivem a verdade crua todos os dias.
MULHER 1- Pronto. Chega disso. É por isso que não gosto de ficar ouvindo música, a gente acaba fingindo que não tá vendo nada, que tá tudo bem. Que saco isso. A vida não é nada disso.
MULHER 2- A vida é só isso. Uma música que a gente toca e só muito tempo depois é que a gente escuta.
MULHER 1- Pois meu coração não sabe cantar não. Eu canto mesmo é quando meto o pé todo dia nesse chão quente. Nesse mormaço de queimar a vista e o juízo da gente, procurando no lixo um pedaço de pão prá comer. Isso Ele não vê né...
MULHER 2- Da fumaça dos carros sufocando a gente, da chuva molhando tudo... blá blá blá... já sei de cor o que tu vai dizer. Nem precisa mais falar.
MULHER 1- E não é não?
No texto “A Cura”, um diálogo entre a sanidade e insanidade de si mesmo. Questionamentos sobre o tempo interno de cada um e sobre a invisibilidade de pessoas que convivem em espaços comuns e que insistimos em não ver.
“Todo mundo tem um pedaço invisível por dentro, um pedaço que não ouve a gente, mas que a gente tá sempre ouvindo”.
“Eu, você e o tempo. Será que tem como voltar?”
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quinta-feira, 17 de março de 2011
ETAPA III - primeiro exercício de dramaturgia
A dramaturgia para a cena ainda está em construção. Diante das inúmeras referências e informações trazidas pelos atores-pesquisadores em sua pesquisa de campo, optou-se pela criação de três textos para três quadros. Cada um contemplará alguns aspectos observados e estudados ao longo da pesquisa, mas enfatizarão os principais elementos percebidos no universo dos moradores de rua: a solidão, a agressividade, a sexualidade e a relação com o tempo.
A seguir, imagens do exercício da leitura do primeiro texto.
quarta-feira, 9 de março de 2011
ETAPA III - dramaturgia paralelas - primeiro exercício
A dramaturgia para a cena ainda está em construção. Diante das inúmeras referências e informações trazidas pelos atores-pesquisadores em suas pesquisas de campo, optou-se pela criação de três textos para três quadros. Cada um contemplará alguns aspectos observados e estudados ao longo da pesquisa, mas enfatizarão os principais elementos percebidos no universo dos moradores de rua: a solidão, a agressividade, a sexualidade e a relação com o tempo.
A seguir um pequeno trecho do primeiro exercício de dramaturgia escrito pelo diretor André Filho:
MULHER 2- Eu não disse isso. Eu nunca vou esquecer, mas por isso vou ficar agora ficar remoendo essa coisa ruim dentro de mim?
MULHER 1- Não disse mas pensou.
MULHER 2- E agora tu deu prá ler o pensamento das pessoas foi? Olha só, sabia não.
MULHER 1- Tem gente que não precisa fazer muito esforço prá se saber o que elas pensam. É só olhar bem dentro dos olhos.
MULHER 2- (RINDO) Ainda bem que tu nunca vai saber o que eu to pensando...Eu só disse que sentia falta do tempo que a gente sonhava.
MULHER 1- Argh! Lá vem você de novo com essa ladainha de perder tempo. Sonho é coisa do invisível.
MULHER 2- E não é isso que a gente é?
MULHER 1- Não, não é. A gente é só poeira. Poeira varrida pelo tempo prá longe dos olhos dos outros. Poeira que não sonha, que somente se espreme entre uma esmola de vida e outra. Só poeira, mas poeira não é invisível. Poeira só serve é prá arranhar o olho.
Aguardem postagens dos novos exercícios de dramaturgia que a qualquer momento serão divulgados.
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
ETAPA III – pesquisa de elementos visuais
A intervenção da luz no cenário das ruas, por Suzana Vital (iluminadora)
"A luz intervém decisivamente no espetáculo, ela não é simplesmente decorativa, mas participa na produção do sentido do espetáculo, suas funções dramatúrgicas são infinitas" (ADOLPHE APPIA)
"A luz intervém decisivamente no espetáculo, ela não é simplesmente decorativa, mas participa na produção do sentido do espetáculo, suas funções dramatúrgicas são infinitas" (ADOLPHE APPIA)
A pesquisa vem me possibilitando ver o espaço urbano de modo diferenciado. Não tenho mais olhos ingênuos e desatentos às imagens e mensagens que existem nas entrelinhas das ruas. A cada dia educo um pouco mais o meu olhar e coleto imagens que antes ficavam pelo trajeto. Aos poucos foi surgindo uma série de imagens: o lixo entulhado, uma mulher com um bebê nos braços sobre o meio fio da calçada suja, o homem que retirava algo que lhe era importante de um monte de papelão e sacolas foscas, a pessoa anônima que dormia sobre chão, dividindo espaço com o sol, com as cadeiras, guardanapos espalhados e com o vai e vem de tantos pés que passavam ligeiros, as disparidades presentes na fronteira de um edifício luxuoso (como o Píer Mauricio de Nassau) e as casas improvisadas em papelão na calçada escura, o homem num ato quase animalesco ataca entulhos próximo ao poste, a mulher desnutrida e ignorada por quem passa com destino certo, o homem que dorme em frente a loja já fechada. Essas imagens me fazem pensar cada vez mais na questão da invisibilidade.
A cidade tem cores, sonoridades que perpassam toda e qualquer imagem que exista. Do silêncio noturno escuro ao caótico clarão do meio dia. Não dá para não pensar em iluminação e na ausência dela.
Ao meio dia, nós temos uma luz branca levemente azulada. Para ser reproduzida em teatro, podemos usar filtros (gelatinas) em refletores para alterar a tonalidade e chegar a uma semelhante a do meio dia (sol a pino). Uma outra tonalidade que marca a iluminação é a noturna com seu tom alaranjado, deixando as esquinas com um certo suspense e fotografia tenebrosa. No Recife prevalece em seu sistema de iluminação pública as lâmpadas de vapor de sódio.
As Lâmpadas de vapor de sódio é a designação dada a um tipo de lâmpada de descarga em meio gasoso que utiliza um plasma de vapor de sódio para produzir luz Possui uma temperatura de aproximadamente 2000K, que resulta numa tonalidade amarelo alaranjada, muito parecido com a cor de uma luz de velas. Esse tipo de lâmpada não revela bem as cores de um objeto, pessoa ou paisagem, deixando tudo sobre um mesmo tom (alaranjado), ocorrendo uma distorção bem grande das cores que incidem seu fluxo luminoso, mas possuem grande potencial dramático, para contra-luzes e contornos.
Algumas avenidas, como a Avenida Conde da Boa Vista e Avenida Boa Viagem, já utilizam a lâmpada de vapor metálico, que são lâmpadas que combinam iodetos metálicos, com altíssima eficiência energética, excelente reprodução de cor, longa durabilidade e baixa carga térmica. Sua luz é muito branca e brilhante, com maior potencia de iluminação e que mostra todos os detalhes dos objetos e pessoas, como cor e forma.
A iluminação pública, principalmente a que utiliza a lâmpada de vapor de sódio, provoca várias zonas de sombra no objeto ou pessoa na qual incide. E nesse diálogo de luz e sombra, pude visualizar algumas possibilidades para uma iluminação cênica.
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
ETAPA III – pesquisa de figurino
A indumentária no cenário das ruas, por Manuel Carlos (figurinista)
Uma parte da sociedade não se preocupa com “grifes” ou “tendências” da última moda. São os moradores das ruas que cobrem os seus corpos com o que conseguem por doações ou peças descartadas no lixo e por isso ficam fora do padrão definido pelos ditadores da moda. Em meio aos improvisos podemos encontrar estilos e características próprias entre os próprios moradores das ruas.
Traços que nos transportam a épocas em que, por determinação dos estilistas, era de “bom tom” se mostrar com tais roupas, adornos e/ou adereços que hoje só se usam em representações teatrais ou fantasias carnavalescas. O uso de adornos nas cabeças vem do antigo oriente, ou seja, de uma contribuição dos povos montanheses que usavam barretes de feltro de formas diversas. Já no I milênio, os hititas (um povo indo-europeu) dos dois sexos usavam o barrete alto e cilíndrico com a capa arredondada ou cônica. As mulheres acrescentavam um véu comprido disposto do alto do gorro e podiam trazê-lo ao rosto.
Veja por exemplo este morador de rua na Praça Maciel Pinheiro em um dia de chuva portando um estilo medieval que nos lembra um monarca.
O que podemos confirmar com este pequeno resumo dos cenários invisíveis das ruas é a existência de uma grande riqueza cenográfica que, só através da sensibilidade, podemos percebê-la e transformá-la em arte para um imenso panorama de visibilidades. Foi o que fez Joãozinho Trinta ao levar para a passarela do sambódromo carioca, os mendigos invisíveis de uma sociedade que superou o brilhantismo de plumas e pedrarias das luxuosas escolas concorrentes.
para conhecer mais a Companhia Fiandeiros, visite o site: http://www.fiandeiros.com.br/
domingo, 6 de fevereiro de 2011
ETAPA III - a experiência na cena
Após vários dias de experiências vividas nas ruas com entrevistas, observações, circulação nos espaços públicos e "viver como os moradores das ruas", o grupo de atores-pesquisadores chega à etapa de experimentações paralelas, nas ruas e na cena.
Os exercícios propostos por André Filho, diretor da Companhia e coordenador da pesquisa, buscam revelar nos atores a naturalização do que viveram durante a pesquisa até o momento, baseados em três pontos observados que se mostram sempre presentes neste universo pesquisado: agressividade, sexualidade, solidão. Durante a realização dos exercícios e após debate com o grupo, outro importante elemento foi adicionado como constante e presente: a relação com o tempo.
O tempo como "o tempo de espera". Se espera algo que nem sabe direito o que é. Se espera alguém, algo para ajudar que nem sabe se vai de fato chegar. "Apenas ficam na rua sem pensar, sem fazer nada, sem expectativas, apenas esperam... com ociosidade, pacientes em sua espera."
A seguir, algumas imagens do experimento na cena.
Os exercícios propostos por André Filho, diretor da Companhia e coordenador da pesquisa, buscam revelar nos atores a naturalização do que viveram durante a pesquisa até o momento, baseados em três pontos observados que se mostram sempre presentes neste universo pesquisado: agressividade, sexualidade, solidão. Durante a realização dos exercícios e após debate com o grupo, outro importante elemento foi adicionado como constante e presente: a relação com o tempo.
O tempo como "o tempo de espera". Se espera algo que nem sabe direito o que é. Se espera alguém, algo para ajudar que nem sabe se vai de fato chegar. "Apenas ficam na rua sem pensar, sem fazer nada, sem expectativas, apenas esperam... com ociosidade, pacientes em sua espera."
A seguir, algumas imagens do experimento na cena.
O espaço de trabalho
A preparação do corpo
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
ETAPA III – experiência nas ruas - FOTOS
Segue mais algumas fotos da experiência nas ruas do grupo de atores-pesquisadores do Projeto Paralelas do Tempo. Neste dia fomos à Ponte de Ferro, Cais de Santa Rita e Mercado de São José.
Para conhecer mais sobre a Cia Fiandeiros:
ETAPA III – experiência nas ruas
Neste mês de janeiro de 2011, como ações da III Etapa do Projeto Paralelas do Tempo, os atores-pesquisadores realizaram diversas saídas e experienciaram o “viver na rua”. Os locais dessa experiência foram: Praça do Diário, arredores do Parque 13 de Maio, Cais de Santa Rita, arredores do Mercado de São José, Av. Conde da Boa Vista (imediações do antigo Colégio Marista), Ponte Duarte Coelho, Rua Nova, Pátio do Carmo.
Fizemos um registro breve desses momentos em fotos e vídeos. A qualidade de algumas fotos está baixa ou pela pouca luminosidade dos locais ou pela distância que nos encontrávamos dos grupos fotografados. As fotos foram feitas por Kyara Muniz e Suzana Vital. Para alguns dias tivemos a colaboração do design Davi Paes, amigo e apreciador da Fiandeiros.
Essas fotos foram feitas na Praça do Diário.
Essas fotos foram feitas na Praça do Diário.
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