A indumentária no cenário das ruas, por Manuel Carlos (figurinista)
Uma parte da sociedade não se preocupa com “grifes” ou “tendências” da última moda. São os moradores das ruas que cobrem os seus corpos com o que conseguem por doações ou peças descartadas no lixo e por isso ficam fora do padrão definido pelos ditadores da moda. Em meio aos improvisos podemos encontrar estilos e características próprias entre os próprios moradores das ruas.
Traços que nos transportam a épocas em que, por determinação dos estilistas, era de “bom tom” se mostrar com tais roupas, adornos e/ou adereços que hoje só se usam em representações teatrais ou fantasias carnavalescas. O uso de adornos nas cabeças vem do antigo oriente, ou seja, de uma contribuição dos povos montanheses que usavam barretes de feltro de formas diversas. Já no I milênio, os hititas (um povo indo-europeu) dos dois sexos usavam o barrete alto e cilíndrico com a capa arredondada ou cônica. As mulheres acrescentavam um véu comprido disposto do alto do gorro e podiam trazê-lo ao rosto.
Veja por exemplo este morador de rua na Praça Maciel Pinheiro em um dia de chuva portando um estilo medieval que nos lembra um monarca.
O que podemos confirmar com este pequeno resumo dos cenários invisíveis das ruas é a existência de uma grande riqueza cenográfica que, só através da sensibilidade, podemos percebê-la e transformá-la em arte para um imenso panorama de visibilidades. Foi o que fez Joãozinho Trinta ao levar para a passarela do sambódromo carioca, os mendigos invisíveis de uma sociedade que superou o brilhantismo de plumas e pedrarias das luxuosas escolas concorrentes.
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