“O Presente”, “A Cura” e “História do Rio” são os títulos provisórios da dramaturgia construída a partir dos elementos trazidos pelos atores-pesquisadores em suas observações, vivências e experimentações nas ruas. Dos três textos surgidos da pesquisa Paralelas do Tempo: A Teatralidade do “não-ser”, apenas "História do Rio" ainda está em fase de finalização
Em “O Presente”, duas mulheres expressam tudo o que elas são, o que sentem e vivem a verdade crua todos os dias.
MULHER 1- Pronto. Chega disso. É por isso que não gosto de ficar ouvindo música, a gente acaba fingindo que não tá vendo nada, que tá tudo bem. Que saco isso. A vida não é nada disso.
MULHER 2- A vida é só isso. Uma música que a gente toca e só muito tempo depois é que a gente escuta.
MULHER 1- Pois meu coração não sabe cantar não. Eu canto mesmo é quando meto o pé todo dia nesse chão quente. Nesse mormaço de queimar a vista e o juízo da gente, procurando no lixo um pedaço de pão prá comer. Isso Ele não vê né...
MULHER 2- Da fumaça dos carros sufocando a gente, da chuva molhando tudo... blá blá blá... já sei de cor o que tu vai dizer. Nem precisa mais falar.
MULHER 1- E não é não?
No texto “A Cura”, um diálogo entre a sanidade e insanidade de si mesmo. Questionamentos sobre o tempo interno de cada um e sobre a invisibilidade de pessoas que convivem em espaços comuns e que insistimos em não ver.
“Todo mundo tem um pedaço invisível por dentro, um pedaço que não ouve a gente, mas que a gente tá sempre ouvindo”.
“Eu, você e o tempo. Será que tem como voltar?”
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