quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ETAPA I - leituras

A partir de hoje realizaremos uma série de postagens sobre a primeira etapa de nossa pesquisa Paralelas do Tempo: A Teatralidade do “Não Ser”.

Nesta primeira fase, o grupo realizou uma série de atividades que balizou a pesquisa nos aspectos teóricos abrindo ainda espaço para momentos de discussão com pessoas de outras áreas que contribuíram em debates e conversas sobre o universo pesquisado.

Um dos primeiros exercícios da pesquisa foi o contato com algumas publicações. Entramos em contato com o livro ANJOS DAS RUAS, de Edvaldo Arlego e em seguida realizamos entrevista com o autor. O livro faz parte de uma trilogia que tem como ponto comum um único personagem central. ANJOS DAS RUAS é uma obra de ficção escrita a partir de uma pesquisa desenvolvida pelo escritor sobre os moradores de Rua. Durante a entrevista ele nos relata como foi o processo de coletas de informações, sua metodologia, simples procurando não ser invasiva, suas investidas e as diversas histórias que encontrou na vida dessas pessoas cujo universo é a rua. (ANJOS DAS RUAS. Edvaldo Arlego. Recife: Edições Edificantes, 2006.)

Outra obra pesquisada, igualmente seguida de entrevista com o autor, foi HOMENS INVISÍVEIS, de Fernando Braga Costa.  Durante cerca de dez anos, Fernando estudou as questões de invisibilidade e experienciou viver como gari nas ruas de São Paulo como parte de sua pesquisa durante toda sua vida acadêmica resultando nesta publicação onde relata suas vivências e coloca questões sobre humilhação e invisibilidade social. (HOMENS INVISÍVEIS: RELATOS DE UMA HUMILHAÇÃO SOCIAL. Fernando Braga da Costa. São Paulo: Editora Globo, 2004. 254 p. ISBN: 8525038911.)

Ainda no segmento das leituras, destacamos a leitura de um artigo discutido pelo grupo.  (IN)VISIBILIDADE SOCIAL: O JOGO DRAMÁTICO ENTRE VISIBILIDADE E INVISIBILIDADE DOS ATORES SOCIAIS, de Gilson Rodrigues, Bolsista do PET/CS/UFRN. No artigo, o autor aborda os conceitos de invisibilidade social, referindo-se ao ser humano como sujeito e não limitando ao conceito de indivíduo. A partir dessas reflexões sobre as situações sociais, as relações de invisibilidade e alteridade confirmamos que esta pesquisa, essencialmente artística, tem a necessidade de observar o lado humano dessas pessoas, isso nos dá a oportunidade de enxergar a nós mesmos e pode ser considerado como um significativo passo para cada um envolvido neste trabalho, como ser humano em sua inteireza.

Para saber mais sobre a Companhia Fiandeiros, acesse: http://www.fiandeiros.com.br

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PARALELAS DO TEMPO - A TEATRALIDADE DO “NÃO SER”

A Companhia Fiandeiros de Teatro tem como objetivo estruturar o seu trabalho a partir de investigações que aprofundem sua relação com o fenômeno Teatral. Ao longo dos anos, criou um repertório de espetáculos com base em estudos no campo da poética, da dramaturgia pernambucana, do Teatro para Infância e Juventude, da musicalização e dos desdobramentos da interpretação do ator, específicos para cada montagem levada à cena.

Como proposta para sua quarta pesquisa, a Companhia Fiandeiros busca através do tema: Paralelas do tempo - A teatralidade do "não ser", dialogar com os conceitos de vida e morte, criador e criatura, humano e divino, construídos a partir da visão de mundo das pessoas consideradas invisíveis pela nossa sociedade, buscando a teatralidade na essência do universo das ruas do Recife.

Desta forma, o "ser marginal", o "tornar-se invisível", "o não ser" no sentido do não existir como um ser pleno de possibilidades, será a matéria-prima para as discussões, possibilitando  o aprofundamento de questões como: De que forma, nas pessoas pesquisadas, se encontra a expressão do divino? Sob que ponto de vista a sociedade é vista por essas pessoas? Que relação há entre o ritmo interior desses indivíduos e o ritmo urbano?  O desafio da pesquisa será buscar a teatralidade nas respostas dessas questões para levar à cena não apenas um mapa social da cidade, mas o questionamento sobre nossa própria invisibilidade em diferentes graus de exclusão social.

Desde Junho de 2010, a Companhia Fiandeiros tem se reunido para sistematizar e realizar as atividades da pesquisa: Paralelas do Tempo - A Teatralidade do “Não Ser”, viabilizada através do incentivo do FUNCULTURA – 2009. No trabalho, 06 pesquisadores, 01 coordenador da pesquisa, 01 registrador e 01 estagiária, debatem, registram e entrevistam para instrumentalizar seus relatórios mensais e seus futuros experimentos de cena.

A pesquisa seguirá até março de 2011 e poderá ser acompanhada pelo público através do nosso site.